Tripeiros?

Sabias que a expressão Tripeiros, comummente usada para designar os habitantes da cidade do Porto é uma expressão carinhosa e de reconhecimento?

Em 200 A.C. chamavam-lhe a cidade de Cale, ou Portus Cale. Mais tarde veio a tornar-se a capital do Condado Portucalense e foi berço do “Navegador” Infante D. Henrique.

No início do século XV havia uma grande crise em Portugal. Não como agora, era algo bem mais grave. Portugal passava fome devido à falta de trigo e os cofres estavam vazios. Na altura não estávamos na União Europeia, nem havia o tão temido FMI para nos emprestar dinheiro. O que havia era um Reino com mais de trezentos anos, pobre e enfraquecido cercado por um mar desconhecido e perigoso. Onde não era esse mar a cercar o nosso país, eram reinos inimigos que estavam a ser absorvidos pelo Reino de Castela. Nessa altura o Reino de Castela estava a tornar-se uma super-potência temida pelos povos da França e da Bretanha e o Reino de Portugal estaria confinado a ser anexado a Castela.

Mediante estas variáveis previa-se o fim do Reino de Portugal, o fim de um reino com 300 anos de conquista aos Mouros, impar bravura e irreverência a Castela.
Foi uma altura em que a maioria temia o pior e discutia o porquê de termos chegado a esse estado e como tentar sobreviver depois da queda do reino. Faz-te lembrar alguma coisa? Faz-te lembrar as discussões sobre a recente queda do último governo e o que fazer após a mesma e a entrada do novo governo, que é governado pelo FMI?
Se o reino passa fome e está em risco de ser conquistado, porque não descobrir e conquistar outros reinos? Naqueles tempos, uma minoria decidiu focar-se não no fim do reino, mas sim no início de um império e na glória eterna. Ceuta pareceu-lhes a solução pois nos arredores de Ceuta existia uma grande produção de trigo e era a cidade onde afluíam os produtos orientais vindos da Índia pelas rotas do Saara e traziam ouro, especiarias, etc.
E tu? Em que está focado agora?

Em discutir sobre como o país chegou à situação actual e como vamos sobreviver sem o subsídio de Natal, com o IVA a 25%, sem feriados para descansar, os restantes impostos a aumentar, os salários a diminuir, as empresas a fechar, etc. É nisso que estas actualmente focado agora? Ou estás focado em construir um império e teres o mundo nas tuas mãos? Fazes parte da maioria que discute, ou da minoria que faz?

Estás a pensar algo do género: «Construir um império? Ter o mundo nas minhas mãos? Nesta fase? Tomara eu sobreviver e passar estes próximos 10 anos com o mínimo de sofrimento possível. Nesta fase não há recursos para esse tipo de aventuras. Agora não dá. Agora isso seria loucura…»?

Pois, naquele tempo o país pensou o mesmo, mas uma minoria decidiu ser diferente, ganhar recursos que ninguém imaginava possíveis e agir. Conseguiu juntar uma minoria de 20.000 loucos (que mais tarde ficaram para a história não como loucos, mas sim como a elite) e partir para Ceuta.

«Uma armada de 20.000 homens para Ceuta? Como é que isso é possível num país esfomeado? O reino não tem recursos, mal tem comida para alimentar o povo, quanto mais para abastecer uma armada deste tamanho para uma viagem tão longa? Impossível! No mar não há comida e se não temos comida para abastecer os barcos as tropas chegarão lá esfomeadas e guerreiros esfomeados só conhecem um destino, a derrota. Ainda ficamos piores, pois perdermos toda a nossa força bélica e aí é que somos mesmo invadidos. Nesta fase? Tomara nós sobrevivermos e passar estes próximos tempos com o mínimo de sofrimento possível. Nesta fase não há recursos para esse tipo de aventuras. Agora não dá. Agora isso seria loucura…». (Acho que já li isto há dois parágrafos atrás…).

O Porto é uma cidade de loucos, loucos que deram tudo o que tinham por um bem maior, uns deram as armas, outros deram a vida e outros deram toda a escassa carne que tinham para abastecer os navios, ficando apenas com as tripas. E foi nessa épica loucura que, mais uma vez, com criatividade, das tripas fizeram coração e inventaram uma iguaria que ainda hoje é conhecida e apreciada, as «Tripas à moda do Porto» e ensinaram ao resto do país que é dando o que não se tem que nos colocamos na posição de receber o que mais necessitamos, que é simplesmente aquilo que já demos.
Em 1415 Infante D. Henrique formou a armada, partiu de Lisboa abastecido com a carne dos «Tripeiros» e conquistou Ceuta dando assim início a uma das maiores epopeias da história da humanidade.

Graças aos «loucos» que acreditaram, o Reino de Portugal não caiu e de Ceuta ao Japão, os Portugueses tiveram o mundo nas suas mãos…

Como é que nos dias de hoje podemos também acreditar e criar os recursos que nos permitem uma nova epopeia?
Como é que nos dias de hoje podemos também acreditar e criar os recursos que nos permitem ter o mundo nas nossas mãos?

O momento está quase a chegar… PREPARA-TE!

Sónia Anjos
Texto do Blog Sou Amor e Alma

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